domingo, 18 de setembro de 2011

A retomada

Não é fácil voltar aos estudos depois de passar quatro sem saber direito o que uma grande sala de aula, com muitos aluno, professores, matérias, etc. Comecei o curso de Letras da FACISA-BH em março de 2010, uma nova etapa com novos comportamentos e uma nova dedicação, a língua portuguesa.

Isso se deve a uma fase em que trabalhei como aprendiz na Faculdade Arnaldo Janssen, esta funciona no tradicional Colégio Arnaldo. Minha primeira chefe foi uma pessoa essencial para este recomeço, se não fosse suas palavras, talvez eu ainda seria o mesmo que servente de pedreiro que era aos 17 anos, um jovem que não sabia bem ao certo o que queria da vida.

A Licenciatura em Letras em princípio era um grande sonho, mas agora passa a não ser mais do que um ponto de partida para uma longa caminhada. Muitas dificuldades tive até começar o curso, outras tive o primeiro ano de estudo, ano no qual tive de estudar de manhã e trabalhar até as 21h. Após superar todas essas dificuldades, posso perguntar a mim mesmo: Por que pensar em “jogar a toalha” diante das novas barreiras?

Ainda há muito que fazer para alcançar o que realmente quero na vida acadêmica, mas se isso serve de guia para as próximas decisões, sair do meio acadêmico é o que definitivamente eu não quero. Cada recomeço não deverá significar o fim de uma etapa já concluída, mas sim a continuação de um todo, ou melhor uma vida inteira. 

O segundo grau

Ao começar o ensino médio, uma surpresa: encontrei muitos colegas dos tempos de primário, da outra escola. Desde o primeiro dia, puderam ver muitas diferenças em mim. Eu não era mais um menino tão frágil e calado, muitas outras mudanças ocorreram durante esse tempo, em especial com relação à minha dedicação ao estudo. Comecei a fazer um curso no sindicato dos metalúrgicos de Contagem, mas não fiquei por muito tempo.

O primeiro ano foi marcado pelo ganho da habilidade de fazer novos amigos, eu toinha certa dificuldade anteriormente, mas aquela velha timidez foi perdendo suas forças de forma tão imediata que eu mal pude notar. Eu já não era mais o mesmo Igor que tinha dado os primeiros passos na vida estudantil.


O segundo ano


Esse ano para mim foi um marco quase negativo, a sala estava extremamente cheia para acomodar os alunos com espaço digno. Eu não era uma aluno muito frequente, por isso, não tinha lugar fixo. Às vezes, eu me sentava atrás da porta da sala.

Eu não vinha me dedicando bem o suficiente, acabei pegando recuperações, duas delas, uma em biologia e a outra em história, custaram-me as temidas dependências, uma mancha em meu histórico escolar.

A dependência era uma recuperação no ano seguinte à reprovação, e foi justamente isso o que me aconteceu. Mas nem tudo era tristeza nessa fase da vida, uma vez que era ano de formatura. Não tivemos uma grande festa para por parte de nós alunos.

Terminei o terceiro ano enquanto dava meus primeiros passos no mercado informal de trabalho. Sou filho de pedreiro, e foi com meu pai que comecei a trabalhar. Estudava de manhã e trabalhava à tarde, aos sábados trabalhava o dia inteiro.

A falta de leitura, de conhecimento de mundo e a falta de esperança impediram-me de prestar vestibular ou pleitear vaga no PROUNI. Eu procurava meu primeiro emprego de verdade, mas não sabia o que queria ser como profissional, pois embora formado, e pensando que tinha em meu segundo grau completo as chaves para a entrada no mercado de trabalho, escrevia tão mal como um principiante no estudos morfossintáticos. Jamais pensaria naquela época em fazer letras, ainda que dominasse bem as estruturas da língua inglesa.

A volta à origem

Em 2000 voltei à Escola Pe. João Botelho. Escola nova, turma nova. Apresentei uma diferença comportamental em relação ao tempo de Diogo de Vasconcelos, eu finalmente voltei a praticar esportes durante as aulas de educação física.

Eu me comportava como um bom aluno, mas era um pouco deslocado. Às vezes era tido um pouco estranho. Esta foi minha 5ª série.

O ano seguinte marcou minha vida como o ano de minhas primeiras notas ruins. A sexta série não era tão fácil, tive notas que aparentemente prenunciavam um declínio no meu comportamento escolar. Ao final do terceiro bimestre – era assim que distribuíam os pontos –, vi que tinha apenas dois meses para conseguir 22 em 30 pontos em matemática, um tarefa muito difícil. Diferente das notas em matemática, as notas de história eram boas, precisa de 10 pontos em 30 para passar, nas demais matérias já tinha passado.

Uma grande virada:

Passei em matemática sem precisar de recuperação. O mesmo não aconteceu em história.

Precisei fazer recuperação para sofrer a repetência. Um garoto chamado Bruno, que tinha os horários das provas, havia me perguntado em qual matérias eu tinha pegado recuperação. Respondi práticas comerciais, esquecendo de dizer também história, o que me impediu de fazer os dois trabalhos que valeriam 20 pontos dentro da recuperação cada um, uma prova valeria 60.

Só consegui recuperar a data da prova. Fiz uma prova aberta. Fechei a prova.

A sétima série

Esta etapa foi e vem sendo muito importante em minha vida. Uma das amizades mais necessárias em minha até agora foi feita nessa época. A dupla formada nesta série não permaneceu na mesma sala no ano seguinte e, por isso, não voltou também a estudar junta.

O ano seguinte foi ano de formatura, a primeira, espero, de muitas. Ano marcado por brincadeiras e até por certa de seriedade de minha parte. No mesmo ano comecei a estudar inglês. Amava música, mas não entendia bem o que ouvia. Fiquei no curso durante quase seis anos.

No Diogo de Vasconcelos


Como dito na postagem anterior, no início de 1997 tive de sair da Escola Estadual Pe. João Botelho, o que de certa forma teve um impacto na minha vida escolar, afinal, eu era campeão de ditado na escola anterior e costumava copiar do quadro, foi assim que percebi que escrevia de forma extremamente lenta e, além do mais, não havia aprendido ainda a multiplicar.

Para entrar na 2ª série, tive que fazer um teste para demonstrar que sabia escrever e ler, além de mostrar que sabia fazer contas simples de adição e subtração.

Dona Antônia, diretora na época, aceitou-me, afinal, eu escrevia muito bem – e como uma caligrafia de dar inveja – para uma criança de 8 anos de idade.

Permaneci na Escola Estadual Diogo de Vasconcelos até a 4ª série. 

sábado, 17 de setembro de 2011

Minha Gênese

Meus primeiros passos rumo à minha educação foram dados em casa, o que, é claro, é o que se espera da vida de cada pessoa.

Minha mãe trabalhava em uma creche, o que me possibilitou ter o contato com outras crianças, estas eram um pouco mais velhas o que me fez sentir especial durante um bom tempo.

Mais novo da turma, mais velho de casa. Tenho 3 irmãos e sou o mais velho. Minha infância foi vivida quase que integralmente no Bairro das Indústrias, quase toda...

Só fui começar minha alfabetização aos 7 para os 8 anos, um ano mais tarde do que o padrão da época. Eu morava em Nova Contagem, numa época em que a região ainda não era muito bem desenvolvida. A violência local, em especial aquelas que saiam de "cotovelos" e "janelas", assustava meus pais e os demais moradores, o que definitivamente me impediu de começar a estudar aos em 1995.



De volta ao Bairro das Indústrias, em fevereiro de 1996, comecei a estudar na Escola Estadual Pe. João Botelho. Minha primeira série foi marcada por um medo e uma paixão: o filme "A fortaleza" - um filme barato que não aquele que tem um homem com um número 187 tatuado na testa, mas sim um que se tratava do sequestro de algumas crianças em uma pequena escola - e o futebol - mais precisamente as sensacionais campanhas do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro e Supercopa dos Campeões da Libertadores daquele ano -, respectivamente, colocavam-me medo em permanecer na escola e me impediam de acordar cedo.

O modelo de ensino no qual eu entrei era o CBA, três anos em um ciclo que deveria equivaler a primeira, segunda e terceira séries do ensino fundamental, na época ainda chamado primeiro grau, este  modelo não agradava muito a meus pais, que entenderam que, no começo de 1997, eu estava repetindo a 1ª série. Tive que sair do João Botelho.